Mas para a mão de Vanessa.
A mesma mão que, poucos segundos antes, estivera sobre o corpo de seu marido, A.
Então ele olhou para Ethan.
—Eu poderia te perguntar a mesma coisa.
A resposta estava bem diante dela.
Nenhuma explicação era necessária.
Não era necessário confessar.
Ethan não precisava inventar uma mentira.
Porque, pela primeira vez em anos, Grace não estava mais tentando descobrir se ele estava dizendo a verdade.
Ele já havia parado de se importar.
Ethan sentiu algo estranho.
Não foi minha culpa.
Ainda não.
Era medo.
Porque a mulher à sua frente não se parecia em nada com a esposa que ele havia deixado em casa sete meses atrás.
A Grace que ela conhecia teria perguntado.
Eu teria chorado.
Eu teria procurado uma explicação.
Essa Grace parecia estar apenas esperando que uma conversa que já não era importante terminasse.
—Grace, não é o que parece.
Ela inclinou ligeiramente a cabeça.
—Frase curiosa.
Declan permaneceu
silenciosamente ao seu lado.
Mas a presença dele bastava.
Ethan sabia disso.
Todos no mundo dos negócios conheciam Declan Pierce.
E ninguém queria tê-lo como inimigo.
“O que você está fazendo com ele?”, perguntou Ethan finalmente.
Pela primeira vez, uma pequena expressão surgiu no rosto de Grace.
Não era tristeza.
Foi uma surpresa.
Como se a pergunta fosse absurda.
—É essa a primeira coisa que você quer saber?
Ethan abriu a boca.
Mas ele não respondeu.
Grace acariciou suavemente a barriga dela.
—Estou grávida de sete meses.
-Eu sei.
—Durante os últimos três meses, enquanto você estava “viajando a trabalho”, eu fui sozinha a oito consultas médicas.
A expressão de Ethan mudou ligeiramente.
-Graça…
—Eu ouvi apenas as batidas do coração do nosso filho.
Silêncio.
—Eu mesma escolhi o quarto do bebê.
Silêncio.
—Assinei os documentos do hospital sozinha.
Ela ergueu a pasta preta que carregava na mão.
—E hoje vim assinar algo muito mais importante.
Ethan olhou para a pasta.Pela primeira vez, ele sentiu um verdadeiro alarme.
-O que é isso?
Grace olhou para Declan.
Ele pegou a pasta calmamente.
—Os documentos de aquisição.
Ethan franziu a testa.
—Aquisição de quê?
Grace olhou diretamente para ele.
—Da Calloway International.
O mundo pareceu parar por um segundo.
Ethan soltou uma risadinha incrédula.
—Isso é impossível.
Grace não respondeu.
Porque ambos sabiam de algo.
Ethan construiu sua empresa ao longo de quinze anos.
Ele se gabou de suas ações.
Pelo seu sobrenome.
Do seu poder.
Mas havia um detalhe que quase ninguém sabia.
A maior parte do estoque inicial da Calloway International não veio de Ethan.
Eles eram da família de Grace.
Seu pai investiu quando Ethan mal tinha uma ideia rabiscada em um guardanapo.
Quando se casaram, Grace renunciou publicamente a qualquer cargo na empresa para apoiar o marido.
Ethan sempre dizia:
“O meu sucesso é meu.”
EEla nunca o corrigiu.
Até agora.
“Você não pode fazer isso”, disse Ethan em voz baixa.
Grace piscou.
-Porque?
—Porque você é minha esposa.
Um sorriso triste surgiu em seus lábios.
—Foi exatamente por isso que pensei que nunca teria que fazer isso.
Vanessa deu um passo à frente.
—Ethan, talvez devêssemos ir embora.
Grace olhou para ela.
E dessa vez Vanessa baixou o olhar.
Porque até ela entendeu alguma coisa.
