À sua frente havia uma torre de pratos gordurosos.
Na sala, suas primas Abril e Jimena, de 7 e 5 anos, brincavam de casinha com um carrinho novo.
"Olhe para ela, parece uma criada", disse Abril, rindo baixinho.
Renata não respondeu.
Ele apenas olhou para baixo e continuou esculpindo um copo, como se sua vida dependesse de não cometer erros.
Mauricio sentiu um golpe no peito.
Ele havia adotado Renata quando ela tinha 2 anos, após conhecê-la em um lar adotivo em Ecatepec. Adopção
A garota mal falou.
Ele não pediu nada.
Ele apenas encarava todos como se já tivesse aprendido que esperar afeto era perigoso.
Mas no dia em que Mauricio se agachou na frente dela e Renata pegou seu dedo com a mãozinha, ele soube que não podia mais soltá-la.
Ele não se importava que seu pai, Don Armando, dizia que criar o sangue dos outros era entrar em brigas.
Ele não se importava que sua mãe, Dona Gloria, insistisse que ele ainda poderia se casar e ter "filhos próprios".
Ela não se importava que a irmã Paola fazia caretas toda vez que Renata dizia "pai".
Mauricio escolheu.
E desde então, aquela garota era seu lar.
O motivo dele.
Tudo dele.
O problema era que sua família nunca a escolheu.
Abril e Jimena eram carregadas de um lado para o outro, se gabavam, compravam vestidos para cada aniversário e eram chamadas de "minhas princesas"
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